

Quase tudo o que fazemos na vida fazemos de caso pensado, ou seja, a razão nos governa. Quando você, caro leitor, acorda de manhã e sente o calor das cobertas colocando em marcha seus pensamentos, logo pensa: o que vestir? Será que está frio? Estou atrasado? Pois então, o fato é que está pensando, refletindo, calculando...
Eis a lógica da vida: raciocinar, ponderar e pensar, porém, em um domingo arrastado e preguiçoso, como só os domingos são, eu prostrado diante da televisão pensei “sou um ser irracional”. Nesse momento assistia à partida de futebol Grêmio e Atlético Mineiro – MG, vencida pelo Atlético, diga-se, o que deve ter influência nas conclusões a que cheguei.
De súbito percebi que o tempo havia passado, já fazia alguns instantes que eu assistia ao jogo, logo, no tempo presente eu estava assistindo ao jogo e, no futuro, havia ainda algum tempo de jogo que estava sendo desperdiçado. O futebol é irracional do início ao fim a começar pelo salário dos jogadores que, vale dizer, servem mais para prêmios de loteria mensais, a terminar por mim que guardo duas horas da minha vida para assistir futebol, aliás, neste domingo foram quatro, pois tinha jogo da seleção antes.
A maior parte dos brasileiros demorará toda uma vida para arrebanhar o que um jogador ganha em um mês, não existe razão para ser assim, ao menos eu não encontro. Ademais, por que torço para determinada equipe e odeio a outra? Não há razão. Assim, a minha razão me impelia para longe daquele sofá, daquela TV e de todos aqueles jogadores milionários de cabelos em forma de escultura.
Porém, lembrei-me da final do campeonato gaúcho de 1999 e o mesmo Ronaldinho que castigava o meu time liquidava meu principal adversário e eu em cima da cama dos meus pais pulava e gritava com a mais pura alegria. Lembrei-me da final da copa do Brasil de 2001 quando o meu time subjugou o Corinthians e eu chorei de emoção e da Libertadores de 2007 quando as batalhas eram épicas e o exército fraco e eu comemorava as vitórias com meus amigos, pois mesmo perdendo senti orgulho do meu time...
Olha não ha razão nenhuma para gostar de futebol, mas há toda razão para se emocionar, orgulhar e celebrar a amizade. Não há razão para ser o espermatozoide vencedor e nascer na família e lugar em que nasceu, porém a razão para amar sua família e cuidar do seu lugar. É por isso tudo que perdi de vez a razão e embraveci como nunca com aqueles jogadores e os insultei através de uma televisão.
Nota: Um gostinho de nostalgia invadiu-me nesse final de semana: eram os tiros das cavalhadas. Senti, por um momento, o medo de criança dos palhaços. Bela iniciativa essa filmagem de documentário sobre as cavalhadas o cinema é uma forma de aprisionar a falha memória humana.
Nota 2: O passeio ciclístico do final de semana, bela iniciativa! Vejam como nossa cidade é diminuta e como andamos de carro, incluído esse escriba, imaginem que bem fazemos a nós mesmos e ao mundo usando a bicicleta em nosso cotidiano.
Nota 3: Leio sobre as reclamações de algumas pessoas sobre o fluxo de Skates e Bicicletas na Rua 15 de Novembro, a solução passa pelo meio termo, nem proibir os esportistas de andarem, tampouco deixar como está.
Não será interessante voltar a fechar a rua aos finais de semana? Condicionando tal medida à proibição de praticarem o Skate na Igreja, por exemplo, através do diálogo.
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