Cachoeira do Sul

Comissão de Agricultura debateu a falta de segurança no meio rural de Cachoeira do Sul

11/06/2014 16:08
 

Audiência pública foi realizada da Câmara de Vereadores de Cachoeira (Foto: Pepo Kerschner)

O elevado número de crimes de abigeato no município de Cachoeira do Sul e a questão da falta de segurança no campo levou a Comissão de Agricultura, Pecuária e Cooperativismo a realizar audiência pública, na segunda-feira (9), na Câmara de Vereadores de Cachoeira do Sul.

Presidida pelo deputado Heitor Schuch (PSB), coautor do requerimento junto com o deputado Edson Brum (PMDB), a audiência ouviu as mais diferentes manifestações dos produtores rurais do município, sobretudo com o que consideram descaso do governo do Estado, da Secretaria de Segurança Pública, com o grave problema, uma vez que este tema já foi pauta de outra audiência pública ocorrida em 2013, sem apresentar resultados concretos.

Para o deputado Schuch, o aumento do êxodo no campo está ligada diretamente a questão da falta de segurança aos produtores rurais.

Impunidade
O deputado observou que há muito tempo os bandidos descobriram que roubar no interior é mais seguro que na cidade.

Segundo o presidente da Câmara Municipal, vereador Marcelo Figueiró (PMDB), quem sofre com a insegurança no campo são os agricultores e suas famílias.

O vereador quer que o governo do estado oriente as autoridades locais no sentido de apontar quais são as necessidades do município na área da segurança e dizer o que tem que ser feito para resolver este problema.

Riquezas do campo

Por sua vez o prefeito Neiron Viegas (PT), ressaltou que o município é detentor de uma das melhores genéticas bovinas do estado, além de ser o maior produtor de noz pecã do Estado, assim como de oliveiras.

Poucos policiais
Para o presidente do Conselho Municipal do Agronegócio – Comagro, Diego Kiefer, não trata-se somente de crimes de abigeato. “Estão ocorrendo roubos de equipamentos agrícolas, de insumos e veneno além do problema da drogatização, como o uso de crack, que já alcançou o interior de nosso município”, alertou.

Kiefer apontou uma série de sugestões do Comagro como aumentar o efetivo local “só temos dois investigadores”, assim como adquirir novas viaturas, “só temos uma no município”; aumentar as rondas pelo interior; combate ao abigeato com investigações nos mercados que vendem carne sem procedência a um preço muito inferior; vídeo monitoramento nos principais acessos do município, entre outras.

Êxodo rural

A presidente do Sindicato de Trabalhadores Rurais de Cachoeira, Cleudia Mara Ribeiro Camargo, ressaltou também a questão do grande número de agricultores familiares que estão abandonando o campo devido à falta de segurança pública.

No mesmo sentido foi a manifestação da presidente da Associação dos Moradores do Passo do Taquara, Carolina Lorrando dos Santos, que exemplificou o roubo de um carregamento de veneno que pode chegar a R$ 500 mil de prejuízo ao produtor.

Redução
Representando a Secretaria de Segurança do Estado, o diretor Carlos Sant’Ana, relatou as ações realizadas pelo governo estadual e os avanços alcançados no combate ao abigeato no Rio Grande.

Ainda segundo ele, para que haja uma mudança na política de destinação dos recursos para a área de segurança pública são levados em consideração vários fatores, além da população local, o número do rebanho, os índices das ocorrências de crimes de abigeato e o percentual de crimes registrados no município.

Sant’Ana relatou também que ingressaram para o efetivo da segurança no estado mais dois mil servidores e está aberto o concurso para mais dois mil brigadianos.

Dificuldades
Segundo o comandante do 35º Batalhão de Polícia Militar, major Jaime Roberto Soligo, as dificuldades do município são muitas mas, sempre que procurados, atendem as ocorrências. “Mesmo assim, abordamos em 2013 cerca de 400 pessoas, sendo que 10 foram presos; 207 veículos abordados e a patrulha rural recebeu queixa de apenas cinco abigeatos. Sabemos que este número pode ser muito maior, mas lamentavelmente não são registrados. Realizamos 153 operações no meio rural, na maioria das vezes na madrugada, isto com apenas três policiais para a área rural. Neste ano já abordamos 139 pessoas, 67 veículos em 49 operações realizadas. Estamos fazendo o levantamento das áreas com maior problema para efetuarmos barreiras preventivas”, relatou o major.

Ele desmentiu a informação de que 30% do efetivo local seria deslocado para a capital em razão dos jogos da Copa do Mundo.

Em sua participação, o representante do chefe da Polícia Civil, delegado Oscar Corrêa dos Santos Júnior, também disse que o maior problema da instituição é a falta de efetivo.

Conforme Corrêa, os dois servidores fazem um trabalho preventivo, de mapeamento e de comunicação com os demais policiais de municípios vizinhos e das demais regiões para a identificação dos criminosos e realizar o combate conjunto do abigeato nas propriedades rurais, assim como os demais crimes.

Também participaram dos debates durante a audiência pública, o delegado de polícia titular da Regional de Cachoeira do Sul, João Silveira Goulart assim como o delegado da Polícia Civil José Antônio Mota; presidente de sindicatos de trabalhadores rurais, vereadores e secretários municipais; presidentes de associações de classe e conselheiros do Comagro.


Fonte: Mauro Lewa Moraes/ALRS

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