Economia

Avançam perdas na safra de grãos com a estiagem

28/01/2012 17:31
 

Foto: Kátia Marcon

 

As chuvas registradas na última quinzena no Rio Grande do Sul amenizaram a estiagem, mas não foram suficientes para conter o avanço dos prejuízos nas lavouras dos principais grãos de verão.

Segundo dados divulgados na quinta-feira, dia 26, pela Emater e Secretaria de Desenvolvimento Rural, Pesca e Cooperativismo (SDR), os produtores de feijão, milho, arroz e soja contabilizam perdas de R$ 2.892.889.801,03.

As lavouras de milho já registram redução de 41,89% na produção em relação à estimativa inicial da Emater/RS-Ascar, calculada com base na média histórica dos últimos dez anos. Na soja a quebra é de 22,33%, no arroz de 6,62%, e no feijão 1ª safra de 6,47%.

As estimativas se baseiam em dados coletados entre os dias 16 e 25 de janeiro, em um universo que abrange 97% da área cultivada com milho e soja no Estado, 87% da área de arroz e 75% de feijão. O secretário de Desenvolvimento Rural, Ivar Pavan, destacou que a abrangência da pesquisa - 411 municípios -, somada à experiência da Emater no levantamento de informações, procedimento realizado quinzenalmente desde a década de 70 – e on-line desde 2005 - reforça a precisão dos números divulgados. “Estes são os dados oficiais do governo”, disse.

O milho ainda é a cultura mais afetada pela estiagem, já que a escassez de chuvas atingiu sua fase de maior necessidade hídrica, de floração e enchimento de grão. Com isso a produção não vai ultrapassar 3,08 milhões de toneladas, o que representa queda de 46,63% em relação à safra passada (5,78 milhões t). A situação é mais grave na região administrativa da Emater de Passo Fundo. Com participação de 25,97%, é a maior produtora do grão no Estado, e já contabiliza uma redução de 59% na produção em relação à estimativa inicial. 

”Não há possibilidade de recuperação no milho. A situação pode se agravar se continuar a estiagem, mas as perdas divulgadas já estão consolidadas”, lamenta o presidente da Emater/RS, Lino De David. Hoje, 20% das lavouras de milho estão em desenvolvimento vegetativo, 16% em floração, 29% em enchimento de grãos, 18% maduras e 17% já colhidas.

A expectativa dos produtores e técnicos agora é que volte a chover de forma contínua e bem distribuída no Rio Grande do Sul, de forma a estancar, principalmente, os prejuízos nas lavouras de soja. As precipitações das próximas semanas determinarão a produtividade final da cultura, já que 13% da área cultivada está em fase de enchimento de grãos e 47% em floração. “As maiores perdas estão nas variedades precoces, que já estão aflorando”, avalia o presidente da Emater.

Caso a situação hídrica se normalize, os prejuízos poderão ser estancados, mas não serão revertidas as perdas já consolidadas, de 22,33% na produção em relação à estimativa inicial da Emater/RS-Ascar. A produtividade média, até o momento, é de 1.948 kg/ha, e a produção não vai ultrapassar oito milhões de toneladas. Na região administrativa da Emater de Ijuí, responsável por 23,3% da produção total do Estado, a quebra de safra chega a 26,4% e, em Santa Maria, onde são produzidos 18,96% do total, já está consolidada redução de 32,70% da safra. 

A cultura menos impactada pelo clima é a do arroz, que, devido à irrigação, mantém a produtividade média em 6.861 kg/ha, rendimento que projeta uma produção total de 7,53 milhões de toneladas para esta safra, marcando uma diferença de –6,62% em relação à estimativa inicial. O secretário adjunto de Agricultura, Pecuária e Agronegócio, Cláudio Fioreze, destaca que a redução na produção em 2012 ocorre basicamente nas regiões administrativas da Emater/RS-Ascar de Bagé e Santa Maria. “Em Bagé houve uma redução na área plantada, e, em Santa Maria, a estiagem provocou queda na reserva de água em algumas bacias”, pondera. 

O levantamento abrangeu ainda a cultura do feijão da primeira safra, que registra queda de - 6,47% em relação à estimativa inicial, e de -17,91% em relação à safra 2011, quando foram colhidas 93.019 mil toneladas – este ano não deverá passar de 76.357 toneladas. De acordo com os técnicos, essa diferença poderia ser maior se não fosse os bons rendimentos esperados na região administrativa de Caxias do Sul - Serra e Campos de Cima da Serra - onde as expectativas atuais se encontram bem acima do esperado inicialmente. Atualmente, 62% da área já foi colhida, tendo ainda 28% já maduras e por colher. 

 


Fonte: Emater

Farrapo




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