Educação

Escolas de Educação Infantil mantêm atividades remotas, mas registram evasão

15/08/2020 20:35
 

A crise financeira provocada pela pandemia gerou muita evasão nas escolas particulares do Rio Grande do Sul. Uma consulta elaborada pelo Sindicato do Ensino Privado no Estado (Sinepe) projeta que em torno de 5,7 mil matrículas dos ensinos Médio e Fundamental já foram canceladas (2,5% do total da rede básica privada). A inadimplência no setor chegou a 19,6% em maio, ante 15,7% no mesmo período do ano passado.

Na rede privada, os piores reflexos ocorrem na Educação Infantil.  Conforme o Sinepe, em média, 16% das crianças abandonaram as escolinhas. Em alguns estabelecimentos, o índice chegou a 72%. A inadimplência ficou em 18,3%. A evasão fez com que as instituições cortasse gastos, demitindo funcionários.

Em Bagé, a projeção se confirma. As escolas de Educação Infantil estão passando por muitas dificuldades e buscam desenvolver atividades remotas  para vencerem a crise. Porém, já confirmam a demissão de alguns profissionais e a evasão dos pequenos. A Escolinha Doce de Leite, coordenada pela professora Lyara Bispo da Costa, está realizando atividades diariamente. Lyara ressalta que as professoras, de todas faixas etárias, enviam um planejamento, junto com algum audiovisual e também estão sendo ministradas aulas pela plataforma Google Meet.

A coordenadora comenta que as atividades não são soltas, mas sempre são vinculados à alguma temática, que as crianças demonstram interesse, ou as professoras vão adequando conforme planejamento. “Fizemos um 'Pit Stop' da saudades, entregamos lembrancinhas, colocamos música na frente da escola, e assim pudemos matar um pouco da saudade”, conta.

A professora confirma que houve evasão e desistência de alguns alunos e lembra que está tudo muito incerto, visto que alguns pais tiveram redução nos salários. “Os pais da nossa escola são bem compreensíveis, sabem da importância e querem, quando tudo isso passar, poder contar conosco, valorizam todo nosso trabalho”, reconhece.

Outra escola que está vivenciado esta queda de alunos é a Cavalinho de Pau. De acordo com a proprietária, Fernanda Barbosa, foi criado um grupo com todas as instituições de Educação Infantil e todas vivem o mesmo drama. Ela ressalta que, antes da pandemia, havia 22 escolas de Educação Infantil e, agora, são 18. “Algumas já perderam mais de 40% dos alunos. Eu precisei fechar duas turmas inteiras de pré I e II e tive que demitir três profissionais”, comenta.

Fernanda conta que já estão acontecendo reuniões com a Prefeitura, no sentido de retomar as aulas. Segundo ela, foi aprovado um plano, com mais de 60 itens, no qual as instituições terão que cumprir e se adaptar para a volta presencial. “Teremos que nos adaptar e assinar um termo de compromisso. Já investimos nas melhorias e estamos prontos para o retorno”, frisa. Ela relata que, no início da pandemia, foi feito um levantamento e havia 1.003 alunos matriculados em Escolas de Educação Infantil e 263 profissionais trabalhando na área. Agora, ainda não foi realizado um novo estudo, mas acredita que a evasão e inadimplência ultrapasse 30% em Bagé. “Estamos realizando tarefas on-line. Mesmo as turmas voltando à decisão de mandar o aluno é dos pais. As crianças seguirão sendo atendidas de forma remota”, ressalta.

Folha do Sul



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