Estado

Diminui ritmo de mortes e internações por coronavírus no RS

14/08/2020 19:50
 

Os últimos dias trouxeram um pouco de alívio aos gaúchos no combate à pandemia de coronavírus. Depois de um longo período de crescimento acelerado no número de pacientes graves e de óbitos, a covid-19 deu indícios preliminares de uma possível estabilização nesta semana no Rio Grande do Sul

A média de novas mortes calculada para os sete dias anteriores caiu 14% nesta sexta-feira (14) em comparação com o período anterior e confirmou uma tendência de desaceleração iniciada na terça-feira (11).

Especialistas alertam que o prazo de análise ainda é curto para tirar conclusões de que o Estado estaria passando pelo pico da doença. Também será preciso acompanhar o eventual impacto de recentes flexibilizações nas regras de isolamento social sobre o grau de contágio para verificar em que direção apontará a curva epidemiológica. 

Por enquanto, depois de semanas de crescimento na média móvel de óbitos (assim chamada porque sempre leva em consideração os dias anteriores), de segunda para terça-feira esse número recuou de 57 para 53 e, desde então, segue em declínio. Nesta sexta, chegou a 49,8 (veja gráfico com os dados completos)

— Nos últimos dias, estamos vendo uma recente tendência de estabilização de óbitos, mas o período ainda é pequeno para fazermos afirmações mais categóricas. Um eventual atraso nas notificações ainda poderia trazer oscilações importantes — analisa o epidemiologista Ricardo Kuchenbecker, gerente de Risco do Hospital de Clínicas. 

As internações em Unidades de Terapia Intensiva (UTIs) ainda aumentam no Estado se for considerada a soma de pacientes em atendimento, mas Kuchenbecker observa que isso pode ser provocado pela demora que a covid-19 impõe para os portadores do vírus terem alta. Um indicativo mais preciso do andamento da pandemia seria verificar o número de novos pacientes em tratamento intensivo a cada dia.

Nesse caso, há indícios de desaceleração. A média móvel calculada sobre a variação diária na quantidade de internações, e não sobre a soma dos doentes, confirma uma menor pressão sobre o Estado — cenário que pode ser revertido em caso de aumento nas contaminações. Por esse critério, a média diária de acréscimo nas internações ficou em 2,3 nos últimos sete dias, contra 3,9 no período anterior.

— Estamos imaginando que os números (da pandemia) mais ou menos se estabilizaram no Estado, mas em um patamar mais elevado do que nós gostaríamos. Será importante ver qual será o efeito das recentes flexibilizações principalmente a partir do Dia dos Pais (9 de agosto). Um eventual impacto poderá ser sentido por volta de 20 de agosto. Esperamos que não aconteça — analisa o infectologista Eduardo Sprinz, chefe do Serviço de Infectologia do Clínicas. 

O patamar elevado de uma possível estabilização se reflete nas UTIs de Porto Alegre, por exemplo, onde até as 16h desta sexta-feira havia 339 doentes hospitalizados em estado grave e em meio a uma taxa geral de 89% de ocupação. 

— Para os números baixarem, será fundamental que a população adote os cuidados básicos como lavar as mãos, manter o distanciamento social e usar corretamente a máscara — alerta Sprinz. 

O número de casos, diferentemente das mortes e internações diárias, segue em elevação no Rio Grande do Sul. Mas esse indicador, conforme Ricardo Kuchenbecker, pode estar relacionado a um maior nível de testagem adotado nos municípios gaúchos. 

Nos últimos 25 dias, casos de covid-19 aumentaram no RS

O Rio Grande do Sul mais do que duplicou os registros diários de novas infecções por coronavírus nos últimos 25 dias, período em que GaúchaZH passou a analisar o avanço da doença no Estado por média móvel. 

Em 20 de julho, a Secretaria Estadual da Saúde (SES) havia registrado, ao longo de uma semana, uma média de 1.172 novos casos a cada dia. Nesta sexta-feira (14), a média dos casos diários dos últimos sete dias pularam para 2.380 — um salto de 103,1%.

A propagação da doença fica clara ao se analisar o total de infecções. Há 25 dias, o Estado tinha 47.449 doentes por covid-19. Nesta sexta-feira, eram 95.142 gaúchos infectados.

 O rápido aumento no número de casos, sobretudo na última semana, indica que a epidemia está fora de controle, observa Luciano Goldani, professor de Infectologia na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e infectologista no Hospital de Clínicas de Porto Alegre. Ele destaca que o Estado chegou a totais de casos e de mortes no mesmo patamar de países europeus e classifica como "inconcebível" a retomada das atividades: 

— Me parece estranho que estejamos em processo de flexibilização de distanciamento com esse número acelerado de casos. Somos, com outros Estados do Sul, o epicentro da covid-19 no Brasil e temos 90% de CTIs lotadas em Porto Alegre. Precisamos, ainda, considerar que esses dados se referem a antes das flexibilizações. É uma situação preocupante. Fala-se em retomada de atividades e de volta às aulas. É inconcebível.

A média de registros diários de óbitos também subiu neste período, mas em ritmo mais lento. Enquanto na semana anterior a 20 de julho a SES registrava, em média, 41 vítimas a cada dia, agora esse número chega a 49, uma alta de 19,5%. Nesta sexta-feira, a pasta confirmou mais 47 óbitos pelo coronavírus, elevando o total de vítimas no Estado para 2.631. Os novos casos se ampliaram em 2.678. Já o número de recuperados alcançou 83.868, o que equivale a 88% dos casos confirmados. Nesta sexta-feira, a média móvel de infecções por coronavírus registrava aumento de 30% em sete dias, enquanto as mortes caíram 14%.  

Como são feitos os cálculos

A chamada média móvel é uma variável recomendada por especialistas para analisar o andamento da pandemia de forma mais precisa. Os dados são extraídos dos boletins diários da SES, que trazem a quantidade de novos registros. Em vez de comparar apenas um dia da epidemia com outro, analisa-se um período mais amplo com o imediatamente anterior.O método reduz distorções causadas por atrasos em notificações em fim de semana, quando menos testes são processados por laboratórios. 



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