Saúde

Psicóloga fala sobre cuidados no isolamento social

25/05/2020 20:14
 

 

Profissionais ligados à área da psicologia estão em alerta para o impacto negativo do isolamento. Num período em que grande parte das pessoas está vivendo em quarentena para evitar a propagação da Covid-19, as mudanças no comportamento e os conflitos diante de sentimentos como ansiedade e medo tem sido cada vez mais frequentes.

A psicóloga Mariane de Macedo, especialista em gestão de pessoas, faz alguns apontamentos para minimizar os efeitos do isolamento na saúde mental e na qualidade de vida.

“Nos primeiros quinze dias de isolamento, as pessoas até gostaram, pois aproveitaram para organizar a casa, ficar mais com a família, ler alguns livros, ou seja, colocar em dia os projetos adiados. No entanto, passado esse período inicial, onde as notícias foram se intensificando, alguns transtornos, especialmente os de ansiedade, foram potencializados”, afirma.

De acordo com Mariane os transtornos de ansiedade são caracterizados por sentimentos de preocupação, ansiedade e medo.  

“O medo faz com que a pessoa se previna, pois dispara o sistema de alerta diante de um assalto. O medo é nominado, identificado, já a ansiedade é subjetiva. No medo, a pessoa identifica o sentimento de ser assaltada, de levar um tiro. Na ansiedade a pessoa pode ter medo do patrão, sem ele nem ter lhe dirigido à palavra ou, até mesmo, lhe ameaçado”.

Quando o medo e a ansiedade são exacerbados, trazendo disfuncionalidade à pessoa, torna-se patológico. Mas para cada um a experiência vai estar relacionada com sua história de vida, aliada a questões genéticas e ambientais, garante.

“Um dos gatilhos, atualmente, pode ser o excesso de informações, onde a pessoa perde a racionalidade e vai se deixando manipular pela mídia, potencializando a ansiedade.” É importante que as pessoas se mantenham informadas, mas de forma consciente e responsável, para que não haja uma sobrecarga emocional.

Diante deste contexto, profissionais da saúde tem aconselhado uma redução de danos mentais, tirando a pessoa do terrorismo mental para o medo, visando minimizar as sequelas emocionais. Se protegendo sem negar a existência do vírus, como por exemplo:

  - Não assistir notícias ruins, que apenas reforçam os pontos negativos. Verificar a qualidade da informação;

  - Permanecer com uma rotina como se estivesse trabalhando, com atividades físicas,  utilizando as vitaminas naturais como sol e frutas, assistir bons filmes, fazer boas leituras;

- Manter uma boa alimentação;

- Tomar muita água. Principalmente em uma crise de pânico, pois a pessoa não consegue pensar, em decorrência dos sintomas de ansiedade, aniquilamento e outros. Mas um copo de água ela consegue tomar e isso ajuda na eliminação das substâncias descarregadas no organismo, como cortisol e adrenalina, que são eliminadas através da urina, auxiliando na estabilização do quadro;

  - Tomar chá também pode melhorar os distúrbios do sono, sempre evitando a cafeína e refrigerantes;

- Fazer meditação;

- Espiritualidade, que é uma atitude cuidadosa para com a vida de todos os seres vivos, condizente com todas as indicações anteriores.

Outro aspecto importante é permanecer seguindo sua vida entendendo que esse processo vai se estabilizar e estagnar. Mariane salienta ainda que é imprescindível que se tenha um propósito de vida.

“Precisamos ter um motivo, um objetivo para buscarmos forças para o enfrentamento das adversidades, que pode ser a família, o trabalho, os amigos, a religião ou uma filosofia que oportunize a pessoa dar sentido a sua própria vida”.

 

Obs: Em casos mais agudos buscar o psiquiatra para ministrar uso de medição.

 

*Mariane de Macedo - Psicóloga, especialidade em gestão de pessoas, Psicologia Clínica e Neuropsicologia.

 

 




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