Economia

Custos de produção inflaciona preço dos alimentos

06/05/2020 10:05
 

Foto: Reprodução

O país vive um período de deflação (queda geral de preços), mas o aumento dos custos de produção vem impulsionando para cima o preço dos alimentos. O aumento se deve ao custo dos insumos usados na produção de alimentos de origem vegetal e animal, afirma o vice-presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Santa Catarina, Enori Barbieri.

Segundo dados do IBGE, no setor de alimentação e bebidas subiu 2,46% em abril, ante 0,35% em março e exerceu o maior impacto sobre o IPCA-15. A alta é decorrência da corrida das famílias aos supermercados para formar estoques e enfrentar o isolamento.

Os itens de alimentação no domicílio (adquiridos em supermercados) subiram 3,14%. Mesmo com muitos estabelecimentos fechados, a alimentação fora de casa também acelerou, de 0,03% em março para 0,94% em abril, influenciada pela alta do lanche (3,23%): o delivery ganhou maior participação. Barbieri explicou a origem da elevação de preços dos principais produtos.

O aumento no preço do feijão se deve à seca e a redução da área plantada, mas a terceira safra anual será colhida em breve e os preços devem se normalizar a partir deste mês de maio. O arroz subiu porque o Brasil colheu uma safra pequena de 10,5 milhões de toneladas, enquanto o normal seria 12 milhões de toneladas.

Quanto ao leite, a tendência é de que o preço aumente após quatro anos sem alteração: “O preço do leite precisa mesmo subir para compensar o produtor rural que está há quatro anos sem reajuste e ameaça abandonar a atividade. Necessitamos de um reenquadramento de custo de produção, porque os preços precisam subir mais ainda,” expõe o dirigente.

Produto essencial na produção de proteína animal, o milho está fortemente influenciado pelo câmbio e os negócios acompanham a cotação da Bolsa de Chicago. No ano passado, o Brasil colheu a maior safra da história, com 101 milhões de toneladas, mas exportou 44 milhões de toneladas. Como consome 70 milhões, precisa importar.

A soja, outro insumo básico para a cadeia produtiva, “tem preço que aumenta todo dia” influenciados pelas cotações internacionais. É uma situação semelhante ao milho: País vai colher 120 milhões de toneladas e mais de 70% já está sob contrato de venda para o exterior. A cotação em dólar mantém preço alto.

A base da alimentação animal é constituída por 70% milho e 30% farelo de soja, influenciados por preços internacionais. O dólar valorizado também impacta nos fertilizantes e em 70% dos outros insumos importados, fazendo subir o custo das lavouras e, por consequência, dos grãos, hortigranjeiros, entre outros.

As previsões para os insumos importados – para os próximos meses –  são de preços em alta. O dólar ficará no patamar dos R$ 5 reais, a saca de milho não baixará de R$ 50 reais para a agroindústria e a saca de soja estacionará em torno de R$ 100 reais. Enori Barbieri assinala que o produtor rural não tem controle sobre esse fatores que aumentam o preço final dos alimentos para o consumidor.

Fonte: Agrolink

Farrapo






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