Caçapava do Sul

O primeiro sim da Ascai. Após 30 anos, asilo realizará 1º casamento entre moradores

20/04/2019 16:30
 

Foto: Willian Brasil

Esta é uma história de futuro. Onde o passado e o tempo são contados de maneira saudosistas, Almerinda Soares Pereira, de 89 anos, e Marcelino José de Brito, de 78, falam do presente, de seu noivado, ocorrido no início do mês, e do futuro, o casamento, esperado por todos os moradores da da Associação Caçapavana de Amparo ao Idoso (ASCAI) e que ocorre sábado, dia 20 de abril de 2019, às 15 horas, com vestido de noiva e festa.

Quando todos dizem “ser o fim da vida”, eles nos dão uma lição de amor, literamente, em pleno Sábado de Aleluia, e mostram que nunca é tarde para encontrar o amor e recomeçar. O Asilo, situado em Caçapava do Sul, fundado há 30 anos, vai celebrar o primeiro casamento de dois moradores, contrariando àqueles que acreditam que esses lares são abrigos dos que esperam... Esperam a família, o tempo, o fim. Quer saber mais sobre os noivos? Veja a matéria e vídeo na íntegra.

Almerinda, nasceu em Bagé, em 12 de julho de 1930. Se mudou para Lavras do Sul ainda criança, casou, não teve filhos. Viúva, a única integrante da família Soares, que mora há seis anos na Associação Caçapavana de Amparo ao Idoso (ASCAI), está encantada com o noivo, que conheceu no Asilo:

“Ele tocava eu dançava com ele... E já fiquei gostando... Ele é um doce, mimoso, lindo... Eu disse 'tu vai ser meu ainda'”, falou dona Almerinda à reportagem, olhando apaixonada para o noivo, que, entre um bate papo e outro, tocava músicas em sua “gaita” para a Almerinda e, no final de cada canção, trocava aplausos por umas bitocas daqueles romances genuínos shakespearianos.

“Eu tava tocando lá em cima (na ala masculina do Asilo), e tal. Quando passava, ela me cuidava com o 'zóio' […] Essa moça tá querendo me namora pelo jeito”, disse Marcelino, natural de São Francisco de Paula, e que chegou ao Asilo em novembro de 2018, arrancado sorrisos da noiva, ouvindo atenta ele contar como se conheceram.

Segundo a técnica de enfermagem Marilei Studier Silveira, “fada-madrinha” dessa história de amor, disse que já viu vários namorinhos no Asilo, mas com pedido de noivado e casamento é a primeira vez:

“Tivemos vários casaizinhos, mas eles são muito parceiros. Foi tudo rápido demais. Em poucos dias eles estavam de mão dadas, sempre juntos. Ela tem dificuldades visuais e ele ajuda ela por todo o asilo, até puxa a cadeira para ela sentar-se, à moda antiga. Quando percebi, perguntei a ela se estavam namorando. Ela disse que foi pedida em namoro. Então avisei a família, que também se encantou com o casal e, quando vimos, eles estavam noivos, de aliança e tudo”, disse Marilei.

A família, do noivo, que vai se casar pela primeira vez, ajuda os funcionários do Asilo a cuidar dos detalhes do Casamento. “Ela vai entrar de vestido, vai ser preparada (maquiagem, cabelo e unhas) todas de parceiros do asilo. Ele também vem de terno e gravata. A decoração foi cedida e terá bolo e lanchinhos (de mercado parceiro). Eles vão receber a benção do Padre Antônio, sob os olhares dos moradores da Ascai, todos convidados para a cerimônia seguida de baile festivo”, disse Maribel de Brito, sobrinha de Marcelino.

Ana Luisa Dalmaso, administradora da Ascai, presidida por Isabel Poglia, disse que os mais de 42 moradores da Associação (que se mantém de benefícios dos moradores, do apoio da Prefeitura Municipal, de doações jurídicas e físicas, brechós e almoços) e que conta com um quadro com 16 funcionários (médicos, fisioterapeutas, enfermeiros, entre outros) aguardam ansiosos para contar essa nova história, da família Brito Pereira, que tem como integrantes além de Almerinda e Marcelino, outros tantos idosos da Ascai, e de tantos outros asilos, que ensinam que a melhor lembrança é do amor presente.

Fonte: Willian Brasil