Política

25 anos de Câmara e muitas histórias

Assessor parlamentar José Irineu Costa lembra episódios marcantes no Legislativo caçapavano

Por Eduardo Schneider
05/04/2019 15:53
2019-04-05 15:53:31
 

Assessor parlamentar José Irineu Costa (Foto: Eduardo Schneider/Farrapo)

O plenário da Câmara de Vereadores é um ambiente familiar para José Irineu Costa, 51 anos. Neste espaço, o caçapavano testemunhou diversos debates acalorados e importantes decisões políticas, desde a década de 1990. Ao completar 25 anos como assessor parlamentar, Irineu decidiu recorrer a memória e contar algumas histórias marcantes do Poder Legislativo.

Leia a entrevista abaixo:

Farrapo – Como chegou a Câmara de Vereadores e quais cargos ocupou?

José Irineu –
Nunca imaginei trabalhar na Câmara. Recebi um convite dos vereadores João Carlos Maciel, Antônio Dias de Almeida e Pedro Henriques Moreira para assessorar a bancada do antigo PL. Aceitei porque gosto de política, está no meu sangue. Após o PL terminar em Caçapava todos migraram para o PDS, atual PP.
Já desempenhei diversas funções. Só não fui Diretor da Câmara porque não quis. Fui assistente de plenário, telefonista, tesoureiro e assessor parlamentar.


Farrapo – Por ter ocupado diversos cargos na Câmara, nunca quis se candidatar a vereador?

José Irineu –
Nunca me candidatei a vereador porque não tive essa pretensão. Meu tempo já passou. Agora é aguardar a aposentadoria.


Farrapo - Quais as lembranças mais engraçadas?

José Irineu –
Testemunhei vereador fugir pela janela da Câmara e sair em direção a rodoviária. Foi em 1993 quando o Legislativo ficava na rua 15 de Novembro. Isso aconteceu quando houve a troca de presidente da Câmara. O vereador que estava saindo da presidência teve vergonha de receber todo o secretariado da administração municipal que era de oposição. No fim das contas, coloquei a cadeira, ele subiu e fugiu!

Outra situação foi durante a execução do hino nacional em uma sessão solene com o então presidente da Assembleia Legislativa, deputado Paulo Odone. Eu era assistente de plenário e coloquei a fita a tocar, mas enrolou durante o hino. Por sorte, apesar do problema técnico, todos seguiram cantando.

Já, um fato curioso, foi quando um vereador entrou com projeto para não fumarem no plenário. Depois, ele descobriu que o colega de bancada fumava, então votou contra e criticou o próprio projeto. Na época, não existia ainda a Lei Federal que proibia fumar no plenário. 


Farrapo - Qual o fato que mais te impactou?

José Irineu –
Quando o governador Alceu Collares visitou Caçapava. O presidente da Câmara, na época, era o Antônio Dias de Almeida. Havia uma homenagem ao fundador da UFSM, José Mariano da Rocha Filho, tio do Antônio Almeida. Quando o governador chegou ao Clube União Caçapavana, local da sessão solene, o homenageado disse ao governador que veio prestigiar o meu sobrinho, caso contrário, não teria perdido tempo.


Farrapo - Quem foi o melhor vereador?

José Irineu –
A Câmara teve vários vereadores que trabalharam pensando no futuro da cidade, mas aprendi muito com o vereador Aníbal Aneci Guterres. Foi um dos que mais trabalhou. Cansei de medir rede de luz no interior a trena juntamente com o vereador Guterres. Foi à única vez que vi a comissão de obras funcionar.
O modo dele trabalhar era o seguinte: Todos os requerimentos eram levados até a pasta dele. Um dia da semana, ele pegava a pasta, me chamava e nós íamos para o interior. Ele verificava se realmente a estrada estava ruim. Caso contrário, pedia pela retirada da matéria por não haver necessidade.


Farrapo - Quem foi o melhor prefeito?

José Irineu –
Dois prefeitos foram muito importantes para Caçapava do Sul: Cyro Carlos de Melo e Otomar Oleques Vivian. Claro, todos os prefeitos eleitos querem fazer o melhor pelo município. No entanto, depois de ganhar a eleição, no mínimo tem que se assessorarem bem.


Farrapo – Quais foram os melhores debates no plenário?

José Irineu - Carlos Carvalho x Sergio Rodrigues e Pedro Gaspar x Antonio Celso, o Toninho do PT. Lembro que o Toninho dizia ao Pedro: Não ponha palavras na minha boca.


Farrapo – Quais foram os fatos mais importantes na sua trajetória?

José Irineu –
Participei de duas CPIs. Assessorei a do ex-prefeito Roberto Machado, que foi barrada na Câmara e também, a do ex-prefeito Zauri Tiaraju.


Farrapo – Existe alguma mágoa?

José Irineu –
Não exatamente mágoa, mas a falta de reconhecimento por parte de alguns vereadores. No entanto, em todos esses anos fiz grandes amigos, muitos deles, vereadores que por aqui passaram.
Também pude conviver com um dos vereadores mais inteligentes que Caçapava teve: Antônio Dias de Almeida. Ele era acima da média e tinha o dom da palavra.

Além disso, queria agradecer a parceria com vereador Pirola. São 16 anos de trabalho ao lado dele pessoa simples e dedicada. Apesar dos percalços, envolvendo problemas de saúde, ele nunca deixou cair à peteca e está com a gente até hoje sempre com intuito de ajudar a sua comunidade.


Farrapo – É verdade que algumas histórias da Câmara vão ser contadas em livro?

José Irineu –
Tenho um sonho que é de escrever um livro. Já conversei com alguns escritores para me auxiliarem. Se eu conseguir realizar este sonho, já sei até como o livro vai se chamar: “Memórias de uma Câmara”.


Por Eduardo Schneider

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