Opinião

Quanto "Vale" a vida? É o tema do artigo de Norton Bitencourt

Por farrapo.rs
07/02/2019 10:44
 

A barragem rompeu. A sirene não tocou. E, em poucos segundos, tudo se acabou. Isso resumiu a triste sexta-feira, dia 25 de janeiro de 2019. Um acidente? Uma tragédia? Quem sabe um desastre ou ainda um crime?! Quantas definições se encaixariam nesta infelicidade... Mas, afinal, quanto vale a vida?

Vale construir pelo método mais barato? Vale a flexibilidade das legislações ambientais e trabalhistas? Vale cem mil reais? Vale a indenização? Enfim, são tantos os questionamentos que poderíamos fazer, mas só há uma resposta possível: não, não vale!

É revoltante saber que isso poderia ter sido evitado e, mais revoltante ainda, é saber que amanhã ou depois, talvez, tudo isso ocorra novamente, que o caso poderá ser “abafado”, que a mineradora seguirá extraindo, seja em MG ou em outro estado ou até mesmo em outro país, que as ações na Bolsa de Valores mais cedo ou mais tarde estarão em alta, que a mineradora voltará a lucrar. Mas o questionamento que fica é: e as vidas perdidas?

Aquela vida do pai que se despediu da família e foi trabalhar, a vida da médica que estaria de folga e foi convocada de última hora, a vida das famílias que foram passear e descansar na pousada, a vida das que pessoas que estavam em casa, dos animais que ali viviam, a vida da natureza de forma geral. Essas vidas não têm volta. Foram vidas retiradas brutalmente, sem aviso, sem ao menos terem a chance de lutar pela própria sobrevivência.

Em uma fração de segundos e em meio a 12 milhões de metros cúbicos de lama, ficaram histórias, sonhos, trabalhadores, pais de famílias e famílias, ficou o rio que era doce, ficaram os peixes e as matas, ficaram os animais, enfim, houve uma devastação da natureza e de inúmeras vidas!

“Talvez o dia em que a última árvore tiver caído, em que o último rio tiver secado, em que o último peixe for pescado, nós vamos entender que o dinheiro não se come”, que o dinheiro não ameniza a dor, não cura traumas, não regenera o meio ambiente e não traz as vidas de volta.

Por isso, a reflexão que fica é sobre o valor da vida, vida no sentido mais amplo da palavra, essa eu garanto que vale muito, muito mais que a própria Vale do rio (nem tão) doce.

 

Norton Bitencourt

Ambientary Engenharia e Meio Ambiente


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