Política

Almirante da Marinha será o ministro de Minas e Energia de Bolsonaro

Por Jornal O Sul
30/11/2018 08:48
 

Bolsonaro e Bento Costa Lima, novo ministro de Minas e Energia (Foto: Reprodução/Twitter)

O presidente eleito Jair Bolsonaro (PSL) escolheu um militar para ocupar o Ministério de Minas e Energia. Na manhã desta sexta-feira (30), ele anunciou pelas redes sociais o nome do almirante Bento Costa Lima Leite de Albuquerque Junior para o cargo. Esse é o 20º nome escolhido por Bolsonaro para ocupar o primeiro escalão do seu governo.

Bento Costa Lima faz parte do conselho de administração da Nuclebrás, autarquia vinculada ao Ministério da Ciência e Tecnologia, responsável por desenvolver o programa nuclear brasileiro. Ele nasceu no Rio de Janeiro e iniciou a carreira na Marinha em 1973. Ocupou cargos como observador das forças de paz da ONU (Organização das Nações Unidas) em Sarajevo; assessor parlamentar do ministro da Marinha no Congresso e comandante dos submarinos Tamoio e Toneleiro. O almirante tem pós-graduação em Ciência Política pela Universidade de Brasília e MBA em gestão pública pela FGV (Fundação Getúlio Vargas).

Militantes
Ter passado pelo Haiti chefiando as tropas da Minustah (a missão de paz da ONU que atuou de 2004 a 2017) parece ter se tornado um trunfo para generais da reserva que vislumbram uma vaga no governo de Jair Bolsonaro (PSL).
A ascensão de nomes que participaram da missão no Haiti tem sido vista externamente como um sinal de valorização de militares com carreira sólida que adquiriram capacidade de gestão e de resolução de conflitos. O presidente eleito colocou no GSI (Gabinete de Segurança Institucional) Augusto Heleno, primeiro comandante da Minustah (entre 2004 e 2005); levou para a Secretaria de Governo Carlos Alberto dos Santos Cruz (que esteve no Haiti de 2007 a 2009); e indicou para o comando do Exército Edson Leal Pujol (líder da força de paz entre 2013 e 2014).
Floriano Peixoto Vieira Neto, que coordenou a missão entre 2009 e 2010, é cotado para assumir a gestão de contratos de publicidade do governo, na Secretaria-Geral da Presidência. Bolsonaro disse na terça-feira (27) que ele pode ir para o cargo, mas o martelo não foi batido.
​Iniciada em 2004, quando a deposição do presidente Jean-Bertrand Aristide quase levou o Haiti a uma guerra civil, a intervenção da ONU foi chefiada pelo Brasil. A participação foi considerada bem-sucedida e teve peso no processo de estabilização política nacional, embora não tenha sido capaz de resolver todos os problemas locais.
Também foi essencial para diminuir o impacto de duas das maiores tragédias da história do país, o terremoto de 2010, que deixou 220 mil mortos e destruiu boa parte da capital Porto Príncipe, e o furacão Matthew, que matou mais de mil habitantes em 2016.
Dos 11 brasileiros que chefiaram as tropas ao longo dos 13 anos, cinco terão funções relevantes na República a partir dos próximos meses, se for incluído na conta o último comandante da ação em solo haitiano, Ajax Porto Pinheiro (2015 a 2017). Pinheiro será assessor especial do presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), ministro Dias Toffoli, substituindo Fernando Azevedo e Silva, escolhido como futuro ministro da Defesa.
Azevedo e Silva é mais um que atuou na missão no Haiti e terá posição de destaque no novo governo. O general da reserva foi chefe de operações do contingente brasileiro no país entre 2004 e 2005. Outro nessa categoria é o próximo ministro da Infraestrutura, Tarcísio Gomes de Freitas. Oficial do Exército de 1992 a 2008, ele trabalhou em Porto Príncipe em 2005 e 2006, como chefe da seção técnica da Companhia Brasileira de Engenharia de Força de Paz.

Por Jornal O Sul

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