Opinião - Economia

Harri Gervásio: Expectativa

Por farrapo.rs
05/10/2018 11:55
 
 

Harri Gervásio Economista

O Caçapavano, Harri Goulart Gervásio é um profissional liberal, formado em Economia pela Universidade Federal de Santa Maria, Pós-Graduado em Administração de Empresas pela UFRGS e Pós-Graduado em Gestão Empresarial pela URCAMP. Técnico em Transações Imobiliárias pelo Senac.

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O momento brasileiro é de expectativa em função das eleições gerais. O dia a dia fica absorvido pelas discussões de quem vai vencer as eleições. A divulgação das pesquisas é esperada com ansiedade, pois muitos acreditam que elas antecipam os resultados. Elas são um indicativo, mas nada é certo, pois muitas  foram contrariadas. Aquele momento antes de comparecer as urnas é decisivo e pode alterar o voto. Hoje o que se vê é uma disputa acirrada, entre um candidato da direita e outro da esquerda, deixando o pessoal do centro de fora. A grande pergunta é, no segundo turno, que lado o eleitorado do centro vai apoiar? Manter a hegemonia no poder ou mudar? É sabido que hoje a ideologia partidária é pequena, valendo os acertos e conchavos para vencer eleições e conseguir cargos. Quem promete mais recebe apoio! Antigamente era normal expor a sigla partidária com orgulho, mas olhando a propaganda  da para notar que o emblema dos partidos desapareceu.  Talvez pensem que com isto estão descompromissados com a  agremiação, facilitando a ida para um lado ou para outro. É Maria vai com as outras! Hoje grande parte dos políticos está sem convicção, pensam apenas no bolso. Muitos brasileiros deixam de participar deste meio devido à falta de credibilidade do setor. Antes era uma honra ter um cargo ou ser eleito, hoje isto é olhado meio de lado, com desconfiança. Fica a pergunta: quem vencerá as eleições? O que o brasileiro pode esperar dos eleitos?

Herança
Poucas vezes se vê mencionada a condição que os governos serão entregues. Alguns desconhecem, mas a  maioria omite, pois após assumir tem a desculpa de dizer que receberam com problemas, de difícil solução e aí deixam de fazer o prometido. Na verdade o setor público esta no pior momento, fruto de politicagem e gestão deficiente, de longo tempo. Os governos estão endividados e convivendo num período de receitas diminutas e crescimento da despesa. Nos últimos cinco anos a economia brasileira convive com números negativos. Em 2014 o PIB foi de 0,5% e em 2015 e 2016 caiu a uma taxa de -3,5%. No ano passado a economia cresceu apenas 1% o que deve se repetir neste ano. Como reverter este quadro? Em função deste quinquênio negativo os problemas se avolumaram. A infraestrutura brasileira esta sucateada, estradas, portos, aeroportos, energia, saneamento, etc, tudo necessitando urgentemente de investimentos. A saúde está um caos e a educação  e a segurança deixa muito a desejar. Todos os setores estão a exigir correções, melhor gestão e principalmente, investimentos. De onde tirar dinheiro para consertar a investir naquilo que esta faltando? Alguns falam em reduzir ministérios, etc, mas isto é um grão de areia neste oceano de necessidades. Como fazer a arrecadação crescer para cobrir as despesas e sobrar dinheiro? Na fala dos candidatos parece tudo fácil, todos falam em fazer, mas nunca dizem de que maneira vai ser feito. É bem possível que seja um desejo, mas nem estão preocupados se será possível.  A verdade é uma só: a herança que será encontrada  no dia 01 de janeiro será pesada, que exigirá jogo de cintura e capacidade de enfrentar grandes desafios. As dificuldades aumentam quando é computada a necessidade de satisfazer trinta e cinco partidos, pois estes definirão os rumos das ações, aprovando ou rejeitando ideias e projetos. A capacidade de compor estará à prova. O que está sendo prometido neste momento é uma estratégia para conseguir os votos, mas o que deverá ser feito após a posse, são outros quinhentos. Uma coisa é a campanha eleitoral, outra coisa bem diferente, é governar.

Patriotismo ou globalização?
Há bem pouco tempo o processo de globalização era uma verdade pouco discutida. Grupos de nações foram formados no sentido de facilitar a circulação de bens, mercadorias e pessoas. Um exemplo é o Mercado Comum Europeu, criado com o objetivo de promover entre os membros a integração alfandegária, livre circulação de mercadorias e capitais  e uniformização da politica trabalhista e fiscal. Dai surgiu até uma moeda única, o euro. Vieram outros grupos, inclusive o nosso Mercosul. Mas com a crise financeira de alguns países, estes procuraram se resguardar internamente, tentando resolver os problemas internos. Hoje na União Europeia já tem uma dissidência, a Grã-Bretanha esta em processo de separação do grupo. O fato mais recente contra a globalização foi com a ascensão de Donald Trump a presidência americana onde prega a proteção do mercado interno. Afirmou que prefere o patriotismo a globalização e mais do que palavras passou a taxar produtos importados iniciando uma verdadeira guerra comercial, principalmente com a China. São novos tempos, com novas discussões, e ninguém sabe como o mundo vai receber estas alterações e principalmente as consequências para o desempenho da economia mundial. É bem possível que o meio termo seja a melhor solução.

Pense
Você pode não ter o melhor do mundo, mas tem muito pelo que agradecer.

Indicadores de Confiança                                   
Dados de 28/09/2018

Salário Mínimo
Salário Mínimo Nacional = R$ 954,00 -  R$ 31,80 p/ dia e R$ 4,33 p/ hora.
Salario Mínimo Regional = R$ 1.196,47/ 1.224,01/ 1.251,78/ 1.301,22/ 1.516,26

Construção Civil – agosto de 2018.
CUB/RS – Sinduscon/RS 
      Residência Unifamiliar (normal) – R$ 1.813,73 m2. / variação 12 meses = 3,90 %
      Residência Multifamiliar (normal) – R$  1.500,28 m2. / variação 12 meses = 5,27%
Custo Nacional da Construção Civil –  Sinapi – IBGE
      Brasil = R$ 1.176,83m2  /  variação  12 meses = 3,94%
      Rio Grande do Sul = R$ 1.168,34 m2  /  variação 12 meses = 3,96 %
Mão de obra – Valores pagos  - Sinduscon
      Pedreiro = R$ 7,17/h
      Servente = R$ 5,27/h

Taxas de Inflação – Índices de Preços – agosto de 2018
IGP–M (FGV) = 0,70%     /  acumulado 12 meses = 8,89%
INCC-M ( FGV)  =  0,30% / acumulado 12 meses = 3,83 %
IPCA (IBGE)  =  -0,09%  /  acumulado 12 meses  =  4,19%
INPC (IBGE)  =  zero%  /  acumulado 12 meses  =  3,64%

Reajuste de aluguéis (exemplo) – Anual,  corrigido por um índice de inflação escolhido pelas partes, acumulado dos últimos 12 meses. 
Ex: Aluguel R$ 200,00(12º. mês ago.) + 8,89% (IGPM) = Novo valor (set) = R$ 217,78

         
Taxa Selic = 6,50 % a.a.      Taxa de Juro de Longo Prazo (TLP) = 6,56% a.a.

Salvo erros de grafia.

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