Opinião

Independência do Brasil é o tema da crônica de Remaldo Cassol

Por farrapo.rs
04/09/2017 09:31
 

Remaldo Carlos Cassol Escritor

O escritor Remaldo Carlos Cassol, 75 anos, se interessou por literatura por influências do pai. Estudou em Porto Alegre, onde se formou na Pontifícia Universidade Católica. Em Caçapava do Sul foi patrono da Feira do Livro em 2010 e exerceu o cargo de presidente em diversas entidades como Ascai e Patronato. Também esteve à frente das Lojas Maçônicas Coronel Coriolano Castro – recuperação e perfeita fraternidade. No Espaço do Poeta, o escritor participará uma vez por mês com textos de diversos assuntos, entre eles, política.

Comemoramos a nossa independência de Portugal na data de 7 de setembro com muito carinho e brasilidade. Realmente esta data não condis com o desligamento autêntico e, ao mesmo tempo, conclusivo de sair do jugo português. Não ficamos nesta data com o reconhecimento, não só de Portugal, como de resto do mundo. A luta para ser reconhecido começou com nações como Inglaterra, França e Estados Unidos, que temiam por esta libertação não tivesse a organização necessária para um país soberano.

Os países da Santa Aliança esperavam por uma decisão de Portugal que ainda considerava nosso país uma de suas colônias. Interessado em homologar a independência brasileira, o inglês Canning agiu com muita habilidade, sabendo não haver retrocesso de nosso povo. A Inglaterra teve real participação reconhecendo países hispano-americanos, forçando o reconhecimento português. Conseguiu Portugal a tomar uma decisão direta com o Brasil. Portugal enviou ao Brasil o conde do Rio Maior para falar com nossos governantes. Estes não receberam o enviado, pois não tinham nada que o credenciasse para definições conclusivas.

Em 1823 novamente Canning junto com a Áustria tentou conversar com Portugal. Neste meio tempo os Estados Unidos reconheceram a independência brasileira em 1824. Criou preocupação aos ingleses que tinham tratados com comércio brasileiro desde 1810. Mais uma vez o governo britânico pressionou Portugal para dar liberdade ao nosso país.

Somente em 29 de agosto de 1825, Portugal dava fortes sinais de reconhecer nosso rompimento com o jugo português para a independência do Brasil. Considerando Dom João VI imperador do Brasil, título honorário.

Países como o México reconheciam nossa soberania desde 9 de março de 1825. A Alemanha, em 1827, com tratado de enviar imigrantes. Áustria reconhecia com tratados de navegação e comércio intenso. Praticamente todos os países europeus aderiram à soberania brasileira, inclusive a Rússia que a princípio não estava definida sua vontade de ser dada a independência.

Santa Sé, dificuldade de reconhecimento do Santo Papa, que preocupação tinha mais com o lado político do que religioso, enviou ao Brasil monsenhor Francisco Vidigal com ordens pouco prováveis a nosso interesse.

Finalmente, em 23 de Janeiro, Portugal pagou uma indenização de dois milhões de libras esterlinas pela dívida ao Reino Unido e foi reconhecida definitivamente nossa independência. No entanto, as dificuldades continuaram a principal delas, foi à exigência inglesa de não haver mais tráfego de escravos.

Remaldo Cassol


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