Segurança Pública

Como está o jovem esfaqueado a caminho da escola

26/05/2012 10:19
 

Luis Gustavo mostra onde foi atingido (Foto:Heron Freitas)

Após ter sido agredido com duas facadas, por Vinicius Duarte da Silva, 18 anos, enquanto aguardava o horário da aula em uma praça próxima à escola onde estuda, e passar 10 dias internado em um Hospital de Santa Maria, Luis Gustavo dos Santos Guterres e sua mãe Madelaine Marques dos Santos receberam a Gazeta de Caçapava em sua casa para uma entrevista exclusiva. Luis Gustavo contou como tudo aconteceu e o que pretende fazer após a sua recuperação. Sua mãe também falou como ficou sabendo da notícia e os momentos de apreensão no Hospital em Santa Maria. Confira a entrevista: 

Gazeta – Poderia contar o que aconteceu até o momento de levar a facada? 

Luis Gustavo – O guri passou olhando para nós, achei que ia ficar nisso, baixamos a cabeça e ficamos quietos. Aí ele largou a bicicleta e veio em nossa direção, quando chegou perto da onde a gente estava, ele puxou do bolso um canivete. Saímos correndo, aí me lembro que escutei um homem gritando, pedindo para ele parar, pensei que havia pegado um amigo meu, então eu parei de correr e virei para trás, foi quando ele disse “se lembra daquele dia”, e me acertou no peito. Na hora parecia um soco, mas quando ele puxou a mão percebei que ele tinha me atingido com o canivete mesmo. Ele tentou me atingir novamente, então coloquei a mochila na frente, foi quando ele me acertou o braço. Depois ele saiu correndo e eu fui para o Pronto Socorro, com a mão no peito, gritando e pedindo socorro. Na hora estava muito assustado, achei que ia morrer. 

Gazeta – Como a senhora ficou sabendo da notícia que seu filho havia sido esfaqueado próximo a escola onde estuda? Qual foi sua reação? 

Madelaine - Fiquei sabendo da pior forma possível, foram os colegas que socorreram ele que vieram me avisar. Estava em casa, e minutos antes havia largado ele na esquina do posto (antigo Texaco), e retornei para casa. Dez minutos depois vieram me avisar. Foi tudo muito rápido, eu até não acreditava. Me disseram que um guri tinha dado uma facada nele e que ele estava no Pronto Socorro. Saí desesperada, atravessei até o sinal vermelho, fui tão rápido, que quando passei pelo quartel da Brigada Militar eles estavam saindo para atender a ocorrência. Quando cheguei ao Pronto Socorro ele já estava sendo atendido. O Gustavo foi de sorte, porque era bem no horário da troca de plantão, então tinha bastante médico para atender o meu filho. Isso até quero ressaltar, que graças a Deus ele se salvou devido a agilidade e o bom atendimento do pessoal do Pronto Socorro, e também da ambulância que não perdeu tempo em levar ele para Santa Maria, se não, talvez ele não tivesse se salvado. 

Gazeta – Durante a recuperação, o que a senhora pensava, qual foi o pior momento que passou? 

Madelaine - O pior momento mesmo foi lá em Santa Maria. Mas na verdade poderia ter sido aqui, porque os médicos sabiam a gravidade, só que não falaram nada. Fui tomar conhecimento apenas em Santa Maria, porque aí o medico nos comunicou que a facada tinha atingido o ventrículo esquerdo do coração e teria que ser costurado. Depois, o momento mais difícil foi durante a recuperação, que não poderia ter nenhuma infecção. Ao todo o Gustavo levou 43 pontos e ficou 10 dias internado. O médico em Santa Maria disse que foi um milagre o Gustavo ter se salvado, porque o guri foi certeiro com a facada, que ele tinha nascido de novo. A facada era mesmo para atingir o coração. 

Gazeta – Como está o Luis Gustavo hoje? Pretende voltar para escola? Madelaine – Ele ainda está traumatizado com o que aconteceu, ainda tem um pouco de medo de sair na rua, mas com o tempo espero que isso passe e também que a gente possa levar uma vida normal daqui para frente, sem medos. Não posso isolar meu filho da sociedade, ele tem que voltar a escola, estudar. Acho bem pelo contrário, quem tem que estar isolado é o guri que cometeu essa brutalidade. Os taxistas que estavam próximos contaram que não teve discussão, onde algum adulto chegasse a tempo e conseguisse evitar. O guri, que deu as facadas em meu filho, chegou de bicicleta e simplesmente partiu para cima da onde o Gustavo estava com os amigos. A gente nem acredita que um desentendimento banal na escola vá resultar em um absurdo destes, que um guri vá partir com uma faca para cima de outro. 

Luis Gustavo – Pretendo me cuidar mais e freqüentar menos a praça. 

Gazeta – Que providências a senhora está tomando? 

Madelaine – Já fomos na Delegacia, contratamos um advogado para acompanhar o caso. Esperamos que seja feita justiça, pois como é que vamos largar nossos filhos desse jeito? Temos medo, pois daqui a pouco ele está solto e aí quer tentar matar meu filho novamente. Os médicos, a Brigada Militar e a Polícia Civil já fizeram a sua parte, agora esperamos que a justiça faça a sua.


Fonte: Gazeta de Caçapava

Gazeta de Caçapava




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